Aturdido com tantas coisas que me vagueiam pela cabeça, era altura de passar para papel algumas delas.
Quando olho para uma mulher, vejo aparência, vejo sex appeal, vejo elegância. É isso que me cativa a olhar. Aquele clic famoso quando passas e deixas o rasto de perfume. Eu olho e fascino-me. Isto é o êxtase. Mas quero mais. Queremos sempre mais, é comum a todos os portugueses. Agora sou escritor da tua bibiografia. Abro um livro branco e escrevo tudo o que sei de ti. Não rasuro, as folhas são brancas. Não acrescento, mudo de página e escrevo outro capítulo. O tempo passa e escrevo Fim. Agora tenho-te a ti. Em mim. Interessa-me que sejas tudo o que vi, mais o que descobri. Procuro inteligência. Amabilidade. Amizade. Carinho. E mais não escreverei porque o importante é que todos sejamos diferentes, mas iguais. Gosto mais de um olhar que dezenas de palavras. E prefiro milhares de palavras conjugadas num sentido próprio que poucas, mesmo que elogiosas. Dizeres-me "Ai, és giro" e virares as costas é como me dizeres não. Conversares horas comigo, estarás a dizer que amanhã há mais!
Chegou o Natal. É aquela época do ano que toda a gente está feliz. A televisão enche-se de anúncios acerca de brinquedos. As férias chegam para os que ainda estudam. E pensamos o que vamos receber este ano? Poderia pedir tanta coisa ou nada. E nada peço. Chegamos a uma idade que já nada nos falta e apenas queremos bem-estar, união, família. Um Natal igual ao anterior é o que espero. Todos juntos. Todos sorridentes. Alguns bêbados. A sonhar em repetir aqueles momentos várias vezes ao ano. Agradeço-vos. Não podia pedir gente melhor. Adoro-vos.
O cantinho onde nos juntamos a contar baladas em post-it's, a desenhar histórias pelas paredes e nos calamos quando vemos que não estamos a dizer nada de jeito... É altura de pedir mais um café!
Notícias de última hora.
O país é governado pela Troika.
Os portugueses juntaram-se em massa para ajudar o Gustavo.
Felizmente o Duarte Lima está preso; infelizmente, o Behring Breivik não.
Adeptos sportinguistas queimam cadeiras no Estádio da Luz.
O Mário Soares está demente e não sabe o que diz.
A Fundação Gil e o Continente juntaram-se num programa de ajuda e conseguiram reunir 80000 euros para a Cruz Vermelha.
O Pinto da Costa, supostamente, agrediu um jornalista da TVI.
Segundo uma senhora que diz ser médica, os genéricos são como o bacalhau à brás.
O banco alimentar foi um sucesso.
Mas, eu vivo a minha vida. Consegues viver, só, a tua?
Os portugueses juntaram-se em massa para ajudar o Gustavo.
Felizmente o Duarte Lima está preso; infelizmente, o Behring Breivik não.
Adeptos sportinguistas queimam cadeiras no Estádio da Luz.
O Mário Soares está demente e não sabe o que diz.
A Fundação Gil e o Continente juntaram-se num programa de ajuda e conseguiram reunir 80000 euros para a Cruz Vermelha.
O Pinto da Costa, supostamente, agrediu um jornalista da TVI.
Segundo uma senhora que diz ser médica, os genéricos são como o bacalhau à brás.
O banco alimentar foi um sucesso.
Mas, eu vivo a minha vida. Consegues viver, só, a tua?
O verdadeiro amor
"Podemos não ter nascido juntos,
não ter crescido juntos,
até podemos nao ter vivido juntos,
mas a partir do momento em que te conheci:
sim quero morrer junto a ti!"
In Californication.
"Ele: Mas, sabes, talvez se te relaxasses por meio segundo, e parasses de procurar um companheiro para a vida tão afincadamente, então talvez pudesses acordar uma manhã ao lado de um.
Ela: Certo. Porque é assim tão fácil...
Ele: Não disse que era fácil, mas tens coisas que valem a pena.
Ela: Claro. Como... Como assim?
Ele: Porque és esperta que até assusta e és linda. E és também incrivelmente sensual.
Aí tens.
Ela: Mas que caralho estás a dizer? Sou uma autêntica croma.
Ele: É verdade, mas és uma croma sensual. Sabes, algumas mulheres encerram essa parte delas e esperam que o príncipe encantado apareça lhes abra as ratas velhas e empoeiradas com as mandíbulas da vida ou uma merda assim.
Tu não. És uma foliona.
Ela: Bem, estás a dizer todas estas coisas incrivelmente estranhas mas incrivelmente queridas sobre mim e (...) Só estava a pensar se eras sincero em alguma coisa que dizes.
Ele: Não digo só merda. Quero dizer, digo muita merda, mas geralmente quero dizer o que digo e digo o que quero dizer."
Lisboa by yourself
Dois dias na Capital.
Tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Correria para apanhar o metro. Guardar os bens no bolso da frente. Um olho na rua e outro em nós. Os aglomerados de pessoas aqui. E ali. Andar sempre em passo acelerado. “Estamos a perder o autocarro, corre…”. Um verdadeiro pandemónio na minha pacata vida.
Foi como entrar no “Sons e Sabores” por mais que breves momentos. Existem resmas de ofertas culturais e de diversos tipos. Por falta de tempo e conhecimento, apenas Belém. Exposição de Vik Muniz! Soberba. E pelo meio, uma frase que me captou a atenção (e a ti se também pensas que és artista):
- “Acredito que nem todas as pessoas sejam artistas, mas todas as que desejarem ser, possuem tudo o que o mundo tem a oferecer para que, um dia, se tornem. Se eu pude, qualquer um pode.”
Almoço no “Pão pão queijo queijo” com sandes, kebabs, shoarmas. Mas não eram convencionais. Eram com recheios, acompanhantes que eu nunca tinha visto. Erro meu, já tinha. Nos filmes. Apenas estou habituado a ver sandes de fiambre, queijo, não de caril de frango, de coco e peru. Esqueci-me de dizer, a vista era para o Tejo.
Chega a noite, mudam as vontades. Visita pelo restaurante “Kaffeehaus”, tipicamente austríaco. Inspirado em programas culinários (o meu novo passatempo) decidi pedir algo que não conhecia. Algo novo. Estava a experimentar tantas sensações novas, porque não mais uma? Escolhi Gulasch mit Spätzle e Sachertorte. Era um guisado de vaca com massa caseira de ovo e mais algumas coisas e um bolo com duas camadas de chocolate e uma cobertura de chocolate negro acompanhado de natas. Apresentação magnífica num ambiente fantástico em plena baixa de Lisboa. E agora perguntei eu? “Agora vamos ao EXD’11/Lisboa”. É o experimenta. Várias exposições espalhadas por toda a cidade. Escolhemos uma. A temática era o Useless. E era no antigo Tribunal da Boa-Hora (aparte, aparte, estive na sala da 6ª Vara onde julgaram o Carlos Silvino). Mais uma vez estupefacto, era algo diferente. Algo, diríamos, sinistro. Mas com o seu q.b. de assombroso. E o meu sentido ficou, novamente, em algo escrito numa das paredes de um designer.
“Como recordar o que nunca aconteceu? Algo que nunca tenha acontecido não pertence nem à verdade nem à falsidade. A memória regista apenas uma ínfima parte do que realmente aconteceu, e guarda inevitavelmente essa parte como verdade de todo.”
Regresso. Está uma alemã sentada num banco de autocarro e o lugar ao lado dela é o único livre quando na próxima paragem um guineense entra. Boquiaberto, reparo que a conversa é feita em inglês básico mas que no final ali se fez uma nova amizade. Surreal e belo ao mesmo tempo.
Post-Scriptum: Em falta: Máquina Fotográfica.
Adenda. Consegui reparar na crise que atravessa o "País". Vi uma cigana a roubar um chinês!
Adenda. Consegui reparar na crise que atravessa o "País". Vi uma cigana a roubar um chinês!
Passatempo Editorial Presença - Vencedora
Tic…tac… Nada acontece, tudo se mantém. Este silencio execrável mais pesado que o chumbo põe-me tonta. A espera mata-me.
Oh Deus! Faz com que amanhã estes fragmentos ansiosos de tempo não sejam mais que o leve recordar da minha memória tosca de hoje.
O coração bate depressa. O sangue corre furiosamente nas veias. Eu amo-te! Mas tenho medo... E se me estás a iludir novamente?
Olho para o velho e poeirento relógio de cuco esbranquiçado pelo pó dos anos. Falta pouco. Depois tudo muda e fica diferente. Tudo se tornará fugaz. Se pudesse pulava no tempo. Acordava depois. Mas não posso. Disseste para confiar e aguardar por ti.
Olho pela janela. Está frio lá fora. O vento murmura uma canção raivosa por entre o arvoredo agitando-o sem piedade. Distingo o negro das nuvens contra o azul carregado do céu.
Algo mudou. A bruma da noite torna-se densa e gelada. Há no ar uma energia oculta e agoirenta que me preenche. Um frio colossal entra-me nos poros, arrepia-me a pele. Ponho-me alerta e escuto... Ai!
Uma pancada seca atinge-me. Demasiado forte, percebi agora. O suficiente para me fazer pairar sobre mim, qual espectro moribundo.
Estou num quarto branco e frio. Embrulhada num sem fim de tubos. A porta range e abre. Tu entras. Era tudo mentira! Percebo pelo teu olhar que vais acabar o serviço... "
Oh Deus! Faz com que amanhã estes fragmentos ansiosos de tempo não sejam mais que o leve recordar da minha memória tosca de hoje.
O coração bate depressa. O sangue corre furiosamente nas veias. Eu amo-te! Mas tenho medo... E se me estás a iludir novamente?
Olho para o velho e poeirento relógio de cuco esbranquiçado pelo pó dos anos. Falta pouco. Depois tudo muda e fica diferente. Tudo se tornará fugaz. Se pudesse pulava no tempo. Acordava depois. Mas não posso. Disseste para confiar e aguardar por ti.
Olho pela janela. Está frio lá fora. O vento murmura uma canção raivosa por entre o arvoredo agitando-o sem piedade. Distingo o negro das nuvens contra o azul carregado do céu.
Algo mudou. A bruma da noite torna-se densa e gelada. Há no ar uma energia oculta e agoirenta que me preenche. Um frio colossal entra-me nos poros, arrepia-me a pele. Ponho-me alerta e escuto... Ai!
Uma pancada seca atinge-me. Demasiado forte, percebi agora. O suficiente para me fazer pairar sobre mim, qual espectro moribundo.
Estou num quarto branco e frio. Embrulhada num sem fim de tubos. A porta range e abre. Tu entras. Era tudo mentira! Percebo pelo teu olhar que vais acabar o serviço... "
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